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A Magia da Escrita

A modernidade na bruxaria trouxe, sem dúvidas, grandes facilidades para os nossos estudos e práticas. Mas, junto com toda a tecnologia e o fácil acesso à informação, veio também a falta da necessidade de pensar por si.
Hoje, leva muito menos tempo pesquisar um feitiço na internet do que planejar uma magia do zero.
E o que a bruxa ganha em tempo, acaba não ganhando em autenticidade mágica.

Percebendo a forma como o mundo está caminhando rápido em termos tecnológicos, eu, mesmo aos trinta e poucos anos, já me sinto uma bruxa das antigas.
Costumo dizer que a bruxaria é um ofício manual, onde colocamos a massa da nossa mente para funcionar e transformar a massa que temos em nossas mãos. Moldar essa massa exige dedicação, tempo e paciência. E é justamente aí que está o motivo de muitas pessoas não conseguirem se manter ou se aprofundar em suas práticas mágicas.

A escrita é uma prática da qual eu gosto muito e que cultivo em diferentes momentos da minha vida, pelos mais variados motivos. Já escrevi para chorar, porque as lágrimas sozinhas não tiravam o peso de dentro de mim. Já escrevi também porque não conseguia parar de sorrir depois de ter vivido um dos melhores dias da minha vida.
Escrever sempre fez parte da minha rotina e é algo que me imagino fazendo até quando as limitações do corpo humano não me permitirem mais — assim como a magia.
A magia também faz parte do meu cotidiano: faço magia em cada ato do meu dia, e, escrevendo, não seria diferente.

Quando digo às pessoas que a escrita é mágica, talvez esperem que eu esteja me referindo a encantamentos, textos elaborados, cheios de fantasia ou metáforas de profundidade filosófica.
A real é que, na maioria das vezes, não é nada disso.
A magia da escrita a que me refiro é o momento em que algo desperta o nosso pensamento de um jeito único, capaz de transformar um instante em palavras que podem ser lidas para sempre.
A magia está no esforço de ficar olhando para uma página em branco, esperando as palavras chegarem. E, no momento exato em que isso acontece, as mãos trabalham incessantemente para colocar no mundo aquela corrente de novidade.
A magia está em saber que aquelas palavras vieram de um universo imenso dentro de você, onde somente você tem acesso, e só você pode tirar novas ideias desse lugar.

Sempre que possível, recomendo aos praticantes que escrevam, estimulando a capacidade de criação, expressando sua essência como pessoa e como bruxa.
Mesmo que não saiba o que escrever, comece fazendo resumos dos seus estudos mágicos, aproveitando para acrescentar pensamentos e conclusões próprias sobre o tema.
Aos poucos, a mente vai se acostumando com a dinâmica de soltar as palavras.

Escrever é uma maneira de transformar, relembrar, conferir, confirmar, guardar e sentir.
Imagine uma espécie de oráculo, onde você desvenda a sua própria mente e suas capacidades, analisando a vastidão que se forma a cada instante.
Porque escrita também é exercício, assim como a magia. A cada tentativa, uma nova descoberta e uma sensação diferente.

A partir deste singelo texto que minha mente fez questão de criar, te convido a escrever para si. Não tenha medo de errar, de não fazer sentido ou de não ser poético como gostaria. Ninguém precisa ler além de você.
Mas cumpra um objetivo: se dedique por completo para escrever o primeiro texto, mas se esforce ainda mais para fazer melhor no segundo.
Até porque, ninguém evolui permanecendo no mesmo patamar — nem mesmo na magia. Mas isso é uma conversa para outro momento.

1 comentário em “A Magia da Escrita”

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