Quando você ouve a palavra “bruxa”, o que imagina?
Talvez venha à sua cabeça aquela mulher velha dos contos de fadas, com um nariz enorme, uma verruga no rosto e um caldeirão borbulhando alguma coisa que provavelmente não deveria ser bebida.
Talvez você pense em uma mulher vestida de preto, cercada de velas, cristais e ervas. Ou talvez você já tenha uma ideia completamente diferente.
A palavra “bruxa” pode despertar imagens muito diferentes dependendo daquilo que você aprendeu sobre ela. E acho curioso como uma única palavra conseguiu carregar tantos significados ao longo do tempo.
Mas afinal, o que é uma bruxa?
E o que exatamente significa praticar bruxaria?
Bruxaria não é uma fantasia
Uma das primeiras coisas que precisamos fazer quando queremos entender a bruxaria é separar aquilo que aprendemos nas histórias daquilo que existe na prática.
A bruxa dos contos de fadas é uma personagem.
A bruxa que pratica magia é uma pessoa.
Parece óbvio, mas durante muito tempo essas duas imagens foram misturadas. A figura da bruxa foi sendo associada ao perigo, à maldade e ao sobrenatural até que a própria palavra passou a ser utilizada como uma forma de ofensa.
Só que a bruxa é muito mais do que esse estereótipo e a bruxaria é bem mais interessante do que essas histórias fantasiosas para assustar crianças.
Para mim, ser bruxa tem muito mais a ver com a maneira como você olha para o mundo do que com a quantidade de objetos mágicos que possui.
Uma bruxa pode ter um altar enorme, outra pode não ter altar nenhum.
Uma pode trabalhar com divindades, outra pode não acreditar em deuses.
Uma pode preferir fazer rituais elaborados, outra pode encontrar sua magia em coisas muito simples do cotidiano.
O que existe por trás dessas experiências é uma disposição para observar, aprender e estabelecer relações com aquilo que está ao nosso redor.
A natureza é uma grande professora
A natureza é onde encontramos inspiração e sabedoria para as nossas práticas. Ela não precisa ser transformada em algo mágico para se tornar parte da magia. Ela já está acontecendo.
O problema é que nós passamos tanto tempo tentando controlar tudo que muitas vezes esquecemos de observar.
Uma planta cresce sem pedir licença.
A Lua muda de aparência sem precisar da nossa aprovação.
Uma estação termina para que outra comece.
Uma fruta amadurece e, depois de algum tempo, começa a apodrecer.
Um animal percebe mudanças no ambiente que talvez nós nem tenhamos notado.
Para quem pratica bruxaria, observar essas coisas é uma forma de aprender.
A natureza mostra que tudo possui ciclos. Que existem momentos de crescimento e momentos de recolhimento. Que algumas coisas precisam ser cuidadas para florescer e outras precisam ser deixadas para trás.
É por isso que, para mim, a natureza não é apenas um cenário bonito para colocar atrás de uma fotografia de bruxa. Ela é uma das principais fontes de conhecimento da prática.
Mas então o que uma bruxa faz?
Essa pergunta tem uma resposta diferente para cada pessoa.
Uma bruxa pode fazer feitiços, rituais, encantamentos, poções e meditações. Pode estudar plantas, cristais, astrologia, tarot, mitologia ou os ciclos da Lua.
Mas nenhuma dessas coisas, sozinha, transforma alguém em bruxa.
Você pode ter uma estante cheia de livros de magia e nunca ter parado para pensar sobre aquilo que está estudando.
Pode ter dezenas de cristais e não saber por que escolheu cada um.
Pode conhecer todos os significados das cartas de tarot e ainda assim não compreender como relacioná-los com a própria vida.
A prática começa a ficar realmente interessante quando o conhecimento deixa de ser apenas informação acumulada e começa a modificar a maneira como você percebe as coisas. É aí que a magia deixa de ser apenas uma coleção de técnicas e começa a se tornar uma forma de pensar.
A bruxa aprende a enxergar significado
Imagine que você encontra uma rosa no caminho. Para uma pessoa, é apenas uma rosa, para outra, pode ser uma lembrança. Para uma terceira, pode representar amor.
Uma bruxa pode olhar para aquela mesma flor e pensar em todas essas coisas e ainda querer descobrir quais significados foram atribuídos a ela dentro das diferentes tradições mágicas. Não existe uma única maneira correta de olhar.
É justamente essa capacidade de criar relações que torna os símbolos tão importantes na magia.
Com o tempo, você começa a perceber que uma coisa pode significar muito mais do que aquilo que ela aparenta ser.
E isso não precisa transformar sua vida em uma sequência de presságios. Você não precisa acreditar que toda vez que um gato atravessar sua frente o universo está tentando te mandar uma mensagem. Às vezes, um gato só está indo para algum lugar.
Mas aprender a observar é diferente de procurar sinais desesperadamente. A bruxa não precisa encontrar magia em tudo, ela precisa aprender a perceber quando existe algo que merece sua atenção.
Então qualquer pessoa pode ser bruxa?
Definitivamente, sim.
Não é necessário nascer em uma família de praticantes ou possuir algum tipo de dom secreto para começar a estudar bruxaria.
Aliás, essa ideia de que a magia é um conhecimento reservado para poucas pessoas provavelmente afastou muita gente de uma prática que poderia fazer bastante sentido em suas vidas.
Você pode começar exatamente de onde está.
Tudo começa na sua curiosidade, que se torna vontade. Essa vontade te leva aos estudos, e a partir deles a observação da natureza e do mundo ao seu redor.
Depois, conforme aprende, pode descobrir que existem tradições diferentes, caminhos religiosos, práticas solitárias e inúmeras formas de se relacionar com a magia.
O que significa ser uma bruxa?
Para mim, ser bruxa não significa simplesmente fazer magia.
Significa aprender a perceber as forças, os ciclos e os símbolos que fazem parte da vida e descobrir como podemos nos relacionar conscientemente com eles.
É estudar o mundo, mas também estudar a si mesma.
É entender que transformação não acontece apenas quando acendemos uma vela ou fazemos um ritual.
Inclusive, a magia começa muito antes de qualquer ritual. Começa quando você percebe um padrão que nunca havia percebido, quando decide mudar um comportamento, quando entende que alguma coisa precisa terminar, quando escolhe cuidar de algo que deseja ver crescer.
E talvez seja por isso que eu nunca tenha gostado muito de definir a bruxaria apenas pelos instrumentos que usamos.
A vela, o caldeirão, a varinha, a vassoura.. Todos são ferramentas que não tem poder algum sem a nossa vontade.
A verdadeira prática acontece na relação entre você, sua intenção e aquilo que está utilizando para realizá-la.
É isso que torna a magia uma prática tão singular.
Quer continuar seus estudos?
Eu também gravei um vídeo falando sobre o que é bruxaria, passando pela história da imagem da bruxa, pelas diferentes formas de praticar e pela maneira como uma pessoa pode começar a construir sua própria relação com a magia.
Se você chegou até aqui porque está começando a se interessar pelo assunto, vale assistir:
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Se você ainda está tentando entender como a bruxaria pode se relacionar com sua espiritualidade, talvez o próximo assunto seja justamente a sua dúvida: bruxaria é religião?

